quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Traineira

“Merda!”resmunguei após chutar um paralelepipedo solta na rua. A rua mal possuia poste e quem dirá iluminação. Isso tudo misturado com a leve embriaguês, a qual sou fã, me resultou quase num tombo.

Mas dane-se o tombo. Eu tava mesmo é discutindo com o Thadeu qual era o nome do bar que havíamos descobrido na praia do foguete de dia. Pois é, de dia. A noite aquele bairro é mais escuro que uma jabuticada dentro de um túnel sem luz.

“Canseira?” tentou Thadeu. “Transeira?” eu disse não segurando o riso. E parece que uma placa escutou a conversa e resolveu mostrar que sabia mais que a gente. “Traineira” e uma seta a direita dizia a direção do bar.

Chegando lá fui muito bem recebido pelo Marcelão, um surfista cinquentão, gente boa toda vida, que já havia conhecido durante o dia quando estive lá.


(Esse ai não é o grande Marcelo!)

Sentei numa mesa, pedi minha cervejinha e curti o show do Netinho (não é o mesmo do post passado). Vi um chucalho dando bobeira e comecei a chucalhar na mesma hora. Quando percebi, o cara do mesa do lado já tava num outro chucalho também, empolgadasso!

Troquei uma idéia com o Netinho, um paulista idêntico ao Zeca Baleiro com direito a sotaque e tudo. Peguei o violão do lado e comecei a tocar na maior cara de pau. Foda-se. Ele riu pra cacete e levamos um som bacana pra cacete. A primeira música eu fiz questão: Zeeeca Baleiro!



Como se não bastasse, o cidadão folgado aqui se empolgou demais. “Vou improvisar! Vou improvisar!” e lá fui eu relembrando meu tempos de guitarrista. “Uaaauuu, eu ainda sei alguma coisa!”

Preckt!

Eu arrebentei a corda dele num bend. Eu não sabia onde enfiar a minha cara. Talvez a privada limpinha do banheiro seria uma boa escolha.

Depois dessa, chega de show do Eric. Parei de tocar e me juntei ao Thadeu e ao Marcelo num papo maneiro pra cacete. Ele já havia sido um surfista mochileiro que sempre carregava seu violão junto a prancha. Altas histórias e boas risadas!

O bar fechava cedo e já era uma hora da manhã. No outro dia o ex-mochileiro tinha que trabalhar de dia com o seu bar na praia.

Como já era esperado, eu e Thadeu partimos, então, pra Praia do Forte pra conhecer as belas sereias de Cabo Frio. O resto da história já é abusar da memória que tenho da primeira noite de viagem a Cabo Frio.

Carpe Vita!

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